Os pilares do tratamento
1. Correção refrativa — óculos ou lentes corrigindo integralmente o grau. Em muitas ambliopias anisometrópicas leves a moderadas, óculos isolados já recuperam boa parte da visão em 3-6 meses (efeito 'treatment with spectacles alone').
2. Oclusão do olho bom (tampão) — o pilar clássico. A dose (horas por dia) é ajustada pela gravidade: 2 horas/dia em ambliopia leve, 6 horas/dia em moderada, oclusão integral em casos graves. Os estudos PEDIG (Amblyopia Treatment Study) mostraram que regimes de 2-6h funcionam tão bem quanto oclusão integral em muitos casos, com muito mais adesão.
3. Penalização com atropina — atropina 1% colírio aplicado no olho bom 1-2×/semana borra a visão de perto no olho dominante, forçando o cérebro a usar o olho ambliope. Excelente alternativa à oclusão em crianças que resistem ao tampão. Eficácia equivalente em ambliopia leve a moderada (PEDIG ATS10).
4. Filtros, Bangerter e lentes de penalização óptica — borram a visão do olho bom em graus variáveis. Alternativa intermediária entre oclusão e atropina.
5. Tratamento da causa subjacente — cirurgia de catarata congênita no primeiro trimestre de vida quando indicada, cirurgia de estrabismo, correção de ptose, remoção de opacidades. Em ambliopia de privação, quanto mais rápido o eixo visual é liberado, melhor o prognóstico.
6. Reabilitação visual binocular (dichoptic training) — jogos e aplicativos que apresentam imagens diferentes para cada olho, estimulando integração cortical. Evidência crescente, mas ainda adjunta ao tratamento clássico.