Por que os olhos coçam e ficam vermelhos? Causas mais comuns (alergia, blefarite, olho seco, conjuntivites, lentes de contato), sintomas, tratamentos e quando procurar o oftalmologista.
Doenças dos Olhos · Publicado em 22 de outubro de 2024 · Atualizado em 07 de maio de 2026
Doutor, meu olho coça e está vermelho — o que pode ser? Essa é uma das perguntas mais comuns no consultório. A resposta quase nunca é uma só: olhos coçando e vermelhos podem ter várias origens, e o tratamento certo depende de identificar a causa.
Neste artigo você encontra as principais causas, os sintomas que ajudam a diferenciar cada uma e o que costuma resolver cada quadro.
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Alergia ocular
A alergia ocular é uma reação a alérgenos como pólen, poeira, pelos de animais e produtos químicos. É uma das causas mais frequentes de coceira intensa nos olhos.
Sintomas da alergia ocular
Coceira nos olhos (geralmente intensa)
Vermelhidão
Lacrimejamento
Inchaço das pálpebras
Visão embaçada
Tratamento da alergia ocular
O tratamento envolve colírios anti-histamínicos e/ou anti-inflamatórios. Em casos graves, pode ser necessário o uso de corticoide tópico, sempre sob orientação do oftalmologista.
Atopia ocular
Conjuntivite atópica com inchaço das pálpebras, olho vermelho e alteração da córnea (ceratoconjuntivite atópica).
A atopia ocular é uma condição crônica que causa inflamação persistente nos olhos. Costuma estar associada a outras doenças atópicas, como asma e dermatite atópica.
O tratamento envolve anti-histamínicos e colírios anti-inflamatórios; em casos graves, corticoide tópico ou imunomoduladores. O controle das outras condições atópicas (asma, dermatite) também ajuda muito.
Blefarite
Blefarite com colarettes, típica na infestação pelo ácaro Demodex.
A blefarite é uma inflamação das pálpebras. Pode ser causada por alergias, atopia, ácaros do gênero Demodex (Demodex folliculorum e Demodex brevis), infecções bacterianas (Staphylococcus aureus e Staphylococcus epidermidis), fungos ou irritação por produtos químicos e cosméticos.
Sintomas da blefarite
Vermelhidão e irritação na margem das pálpebras
Coceira
Escoriação das pálpebras
Sensação de areia nos olhos
Dificuldade pra abrir os olhos pela manhã
Sinais da blefarite: terçol, olho vermelho e secreção amarelada.
Tratamento da blefarite
Envolve a limpeza regular das pálpebras com soluções específicas (shampoo neutro infantil, Blephagel, Systane Lid Wipes), compressas mornas e, em alguns casos, colírios anti-inflamatórios ou antibióticos. Casos refratários podem precisar de tratamento específico para Demodex.
Olho seco
O olho seco acontece quando as lágrimas não conseguem lubrificar adequadamente a superfície ocular. É uma causa muito comum de irritação, vermelhidão e coceira.
Sintomas do olho seco
Irritação e ardência
Sensação de areia nos olhos
Vermelhidão
Visão embaçada que melhora ao piscar
Cansaço visual ao ler ou dirigir
Veja o artigo completo sobre olho seco pra entender causas, tipos e tratamentos.
Conjuntivites
A conjuntivite é uma inflamação da conjuntiva — a membrana fina que reveste a parte branca do olho e o interior das pálpebras. Pode ser causada por alergias, infecções, irritações ou lesões. Os sintomas costumam incluir vermelhidão, secreção, coceira e sensação de corpo estranho.
Conjuntivite alérgica
A conjuntivite alérgica é uma reação a alérgenos como pólen, poeira, pelos de animais e produtos químicos. A coceira costuma ser intensa e bilateral.
Conjuntivite viral
Conjuntivite viral, pior à direita da imagem (esquerda do paciente).
A conjuntivite viral é altamente contagiosa. Costuma ser causada por adenovírus, mas também por vírus da gripe ou de resfriados comuns. O tratamento é com compressas geladas e lubrificantes (Optive, Systane, Hyabak, Hiluropt, Lacrifilm, Lacribell e similares). Antibiótico não trata vírus.
Conjuntivite bacteriana
Conjuntivite bacteriana: a secreção purulenta é evidente.
A conjuntivite bacteriana também é contagiosa e costuma cursar com secreção purulenta amarelada. As causas mais comuns são Staphylococcus e Streptococcus. O tratamento é com colírio antibiótico (ofloxacino, ciprofloxacino, tobramicina e outros).
Conjuntivite fúngica
Conjuntivite fúngica com úlcera de córnea grave.
Infecção rara, causada por fungos como Candida ou Aspergillus. Quando há infecção concomitante da córnea, pode ser muito grave. O tratamento é com colírios antifúngicos.
Conjuntivite medicamentosa
Reação que ocorre após uso prolongado de certos colírios — antibióticos, anti-histamínicos, colírios de glaucoma. O tratamento é a suspensão ou troca do colírio responsável.
Conjuntivite tóxica e irritativa
Conjuntivite tóxica ou conjuntivite irritativa.
A conjuntivite tóxica é causada por substâncias como produtos de limpeza, pesticidas ou tintas. A irritativa é causada por fumaça, poluição, produtos químicos ou lentes de contato. O tratamento é evitar a exposição ao agente causador.
Conjuntivite traumática
Conjuntivite traumática: por lesão direta ao olho.
Inflamação causada por lesão — arranhão, soco, corpo estranho. Todo olho que sofreu trauma precisa ser avaliado pra descartar complicações sérias: arranhões na córnea, descolamento de retina, uveíte traumática e aumento da pressão intraocular.
Não. Embora a conjuntivite seja uma causa frequente, o mesmo sintoma pode aparecer em alergia ocular, blefarite, olho seco, intolerância a lentes de contato e até em traumas. O oftalmologista identifica a causa pelo exame clínico — o tratamento varia bastante conforme a origem do problema.
Quanto tempo dura uma conjuntivite?
A conjuntivite viral costuma durar de 7 a 14 dias e o paciente fica contagioso enquanto estiver com sintomas. A bacteriana melhora em poucos dias com colírio antibiótico. A alérgica pode ser sazonal ou crônica, dependendo da exposição ao alérgeno. A medicamentosa melhora ao suspender o colírio responsável.
Quando devo procurar o pronto-socorro oftalmológico?
Procure atendimento de urgência se houver dor intensa, perda súbita de visão, fotofobia importante, ponto branco visível na córnea, secreção purulenta abundante ou após trauma no olho. Esses sinais podem indicar úlcera de córnea, uveíte ou outras condições que precisam de tratamento imediato.
Posso usar colírio por conta própria quando o olho fica vermelho?
Lágrimas artificiais sem conservantes (Hyabak, Hiluropt, Optive UD) podem ser usadas com segurança pra alívio temporário. Mas evite colírios com corticoide ou "vasoconstritores" sem prescrição — corticoide pode mascarar infecções e disparar glaucoma; vasoconstritores causam efeito rebote e dependência.
Coçar os olhos faz mal mesmo quando está coçando muito?
Sim. Coçar libera mais histamina (piora a coceira), pode causar microlesões na córnea e, no longo prazo, está associado a deformação corneana (ceratocone) — especialmente em crianças e adolescentes alérgicos. Use compressa fria e procure tratamento da causa em vez de coçar.
Este artigo substitui uma consulta com oftalmologista?
Não. O conteúdo é educativo e não substitui a avaliação presencial. O diagnóstico e o tratamento dependem do exame clínico individualizado.
Especialista em Córnea, Cirurgia Refrativa e Lentes de Contato Especiais (esclerais, RGP, ortoceratologia) pela USP, com grande experiência em adaptação para ceratocone, pós-cirúrgicos e olho seco.
O glaucoma é uma doença que lesiona progressivamente o nervo óptico — geralmente sem dor nem sintomas iniciais, por isso chamado de 'ladrão silencioso da visão'. É a maior causa de cegueira irreversível no mundo, mas o diagnóstico precoce permite estabilizar a doença por décadas.
A blefarite é a inflamação crônica da margem das pálpebras — uma das causas mais comuns de olho vermelho, ardor e coceira em adultos. Costuma estar ligada à disfunção das glândulas de meibômio (DGM), e por isso também é chamada de meibomite. É crônica, mas muito bem controlada quando o tratamento é dirigido à causa.
O ceratocone é uma doença progressiva da córnea que afina e deforma a parte da frente do olho em forma de cone, causando miopia e astigmatismo irregular. Quando diagnosticado a tempo, é estabilizado com crosslinking — nos casos avançados, exige lentes esclerais, anéis intraestromais ou transplante.
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