Casos especiais — atenção
Conjuntivite hiperaguda por Neisseria gonorrhoeae
Emergência oftalmológica. Secreção purulenta muito profusa ("jato de pus"), edema palpebral intenso, quemose, linfonodo pré-auricular doloroso. O gonococo pode perfurar a córnea em menos de 24 horas. Tratamento sistêmico obrigatório: ceftriaxona 1 g IM dose única + azitromicina 1 g VO (cobre coinfecção por clamídia). Coletar cultura + Gram antes de iniciar. Investigar IST no paciente e no parceiro.
Conjuntivite por Chlamydia trachomatis
Três apresentações principais. Tracoma: forma folicular crônica endêmica em regiões pobres — ~450 mil cegos e 190 milhões em risco globalmente. Tratamento SUS: azitromicina 20 mg/kg VO dose única (máx 1 g). Adulto sexualmente ativo: conjuntivite folicular crônica unilateral — investigar IST e tratar paciente e parceiros com azitromicina 1 g VO ou doxiciclina 100 mg 2x/dia por 7 dias. Oftalmia neonatal: responsável por ~40% dos casos no primeiro mês de vida; tratamento com eritromicina sistêmica (não só tópica) para prevenir pneumonia neonatal.
MRSA (S. aureus meticilino-resistente)
Emergente na comunidade. Quadros mais graves, mais resistentes. Fluoroquinolonas são frequentemente ineficazes; tratamento com vancomicina tópica manipulada ou TMP-SMX. Suspeitar em: falha de antibiótico empírico, abscesso palpebral, paciente institucionalizado ou com contato com profissional de saúde.
Oftalmia neonatal
Conjuntivite no primeiro mês de vida. Causas: clamídia (~40%), bactérias piogênicas, gonococo (<1%, mas grave), vírus (HSV). Toda secreção ocular em neonato exige cultura + Gram e tratamento sistêmico empírico até resultado. A profilaxia com nitrato de prata 1% ou eritromicina tópica ao nascimento reduz o risco.