Três casos reais (anonimizados) para ilustrar como o tratamento se estrutura na prática:
Caso 1 — Adolescente de 13 anos com ceratoconjuntivite vernal severa. Menino, atópico (asma + dermatite atópica), surtos primaveris há 5 anos com fotofobia intensa, lacrimejamento e hábito intenso de esfregar os olhos. Ao exame: papilas gigantes (cobblestone) na conjuntiva tarsal superior bilateral, ceratite ponteada superior, ceratocone incipiente confirmado em topografia (índice KISA 105). Conduta: orientação familiar firme sobre não esfregar os olhos (link para Stop Keratoconus), pulso de loteprednol 0,5% 4x/dia por 2 semanas, introdução de tacrolimus 0,03% manipulado BID, antialérgico noturno (alcaftadina), encaminhamento para crosslinking corneano preventivo do ceratocone. Resultado: controle dos surtos com tacrolimus, suspensão completa do corticoide em 3 semanas, paciente parou de coçar os olhos (mãe deu reforço positivo diariamente), KISA estabilizou após o crosslinking.
Caso 2 — Mulher de 32 anos com conjuntivite papilar gigante por lentes de contato. Usuária de lentes gelatinosas mensais há 8 anos. Vem com queixa de coceira, sensação de corpo estranho e visão flutuante após 2-3 horas de uso. Ao exame: papilas gigantes na conjuntiva tarsal superior bilateral, leve ceratite ponteada, lentes com depósitos. Conduta: suspensão das lentes por 30 dias, injeção supratarsal de triancinolona 40 mg/mL (0,3 mL em cada olho), olopatadina 0,2% 1x/dia + Restasis BID por 3 meses; reintrodução das lentes após esse período com lentes de hidrogel siliconado de uso diário descartável + manutenção com ciclosporina 1x/dia. Resultado: papilas regrediram em 4-6 semanas, sintomas controlados, voltou ao uso de lentes sem recidiva em 12 meses de seguimento.
Caso 3 — Mulher de 28 anos com ceratoconjuntivite atópica grave e ceratocone bilateral. Dermatite atópica severa desde a infância, eczema palpebral crônico, hábito de esfregar os olhos por horas (especialmente à noite, durante crises). Ceratocone bilateral diagnosticado aos 22 anos, transplante de córnea (DALK) realizado no olho direito aos 26 anos. Apresenta-se com vermelhidão crônica, papilas tarsais médias e ceratite ponteada no enxerto. Conduta: tacrolimus 0,03% manipulado BID + lubrificantes sem conservantes, dermato encaminhado em paralelo (dupilumab sistêmico para a dermatite atópica), pulsos curtos de loteprednol em surtos. Resultado: estabilização do enxerto, controle do prurido ocular, redução dramática do esfregar (mecanismo: a inflamação cutânea e ocular controladas reduzem o estímulo). Acompanhamento de longo prazo em parceria com a dermatologia.