Aqui começa o que a medicina ainda não entende completamente. O nervo óptico é formado pelos axônios das células ganglionares da retina, que atravessam uma estrutura chamada lâmina cribrosa — uma peneira de tecido conjuntivo na saída do olho. A partir desse ponto, três hipóteses, não excludentes, tentam explicar como o dano acontece.
Teoria biomecânica
A pressão intraocular elevada comprime diretamente os axônios no ponto em que atravessam a lâmina cribrosa. Essa compressão bloqueia o transporte axonal — o tráfego constante de nutrientes, mitocôndrias e fatores tróficos entre a célula e o terminal nervoso — e, com o tempo, leva à morte celular. É a teoria mais antiga e é a base racional para todo o tratamento atual, focado em baixar a pressão.
Teoria vascular
O suprimento sanguíneo do nervo óptico pode ser comprometido por pressão intraocular alta, hipotensão sistêmica (especialmente pressão diastólica baixa à noite), vasoespasmo e aterosclerose. Essa hipótese ajuda a explicar o glaucoma de pressão normal, em que o nervo sofre mesmo com PIO dentro dos limites considerados seguros, e a observação de que pacientes com pressão arterial baixa têm maior risco de progressão.
Teoria neurodegenerativa primária
Um processo neurodegenerativo próprio — independente da pressão — contribuiria para a degeneração no disco óptico. Essa hipótese ganha força com evidências de associação entre glaucoma e doença de Alzheimer e outras formas de declínio cognitivo, e com o papel crescente do estresse oxidativo na morte das células ganglionares. É uma das linhas mais ativas de pesquisa em oftalmologia contemporânea.