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As 5 principais causas de perda de visão no mundo

Catarata, erros refrativos não corrigidos, glaucoma, degeneração macular e retinopatia diabética respondem pela maioria dos casos de cegueira e baixa visão. Entenda cada uma, por que ainda tiram a visão de milhões e o que pode ser feito para prevenir.

Retinografia de fundo de olho saudável.

Estimativas atualizadas da Organização Mundial da Saúde e do Vision Loss Expert Group indicam que mais de 2,2 bilhões de pessoas vivem com alguma deficiência visual no mundo, e em pelo menos 1 bilhão delas essa perda poderia ter sido prevenida ou ainda pode ser tratada. A lista das cinco causas mais comuns se repete em quase todos os países: catarata, erros refrativos não corrigidos, glaucoma, degeneração macular relacionada à idade (DMRI) e retinopatia diabética. Entender cada uma ajuda a saber quando procurar um oftalmologista e o que esperar do tratamento.

Fundo de olho usado no rastreamento de glaucoma.

Catarata — a principal causa reversível de cegueira

A catarata é o embaçamento progressivo do cristalino, a lente natural dentro do olho. É a principal causa isolada de cegueira no mundo, responsável por cerca de metade dos casos de cegueira em muitas regiões. O grande ponto é que ela é tratável: a cirurgia de catarata (facoemulsificação com implante de lente intraocular) é um dos procedimentos mais seguros e eficazes da medicina moderna e recupera a visão na imensa maioria dos pacientes.

Alterações maculares em paciente com DMRI.

A prevenção passa por proteção solar (óculos com filtro UV), controle de diabetes, evitar tabagismo e consultas oftalmológicas regulares a partir dos 50 anos — ou antes, se houver sintomas como visão embaçada, halos ao redor das luzes e dificuldade para dirigir à noite. Quando a catarata atrapalha o dia a dia, a cirurgia é indicada — e quanto menos avançada, mais tranquilo o procedimento.

Erros refrativos não corrigidos — a causa mais simples e mais negligenciada

Miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia não tratados são a principal causa de baixa visão no mundo e a segunda maior causa de cegueira evitável. A solução é conhecida há séculos: óculos. Ainda assim, milhões de pessoas — adultos e crianças — não têm acesso a uma consulta oftalmológica e a uma prescrição atualizada. No Brasil, a falta de óculos adequados continua sendo um dos principais determinantes de mau desempenho escolar e de dificuldade no trabalho.

Retinopatia diabética com edema macular.

A prevenção do impacto funcional é garantir exame oftalmológico periódico desde a infância, rever o grau dos óculos sempre que houver queixas e, quando indicado, considerar cirurgia refrativa (LASIK, PRK, SMILE) ou lente intraocular fácica (ICL) para casos em que os óculos ou lentes de contato não atendem.

Glaucoma — o 'ladrão silencioso'

O glaucoma é um dano progressivo ao nervo óptico que costuma evoluir sem dor e sem sintomas iniciais. Quando a pessoa percebe que está enxergando menos, boa parte do campo visual já foi comprometida — e o dano não volta. A doença afeta dezenas de milhões de pessoas no mundo e é a principal causa de cegueira irreversível.

A prevenção da cegueira por glaucoma depende de diagnóstico precoce: exames oftalmológicos regulares a partir dos 40 anos (ou antes, se houver história familiar), medida da pressão intraocular, exame do nervo óptico e, quando necessário, OCT das fibras nervosas e campimetria. O tratamento com colírios, laser (SLT) ou cirurgia não recupera a visão perdida, mas pode estabilizar a doença por décadas.

Degeneração macular relacionada à idade (DMRI)

A DMRI afeta a mácula, a região central da retina, e é a principal causa de perda de visão central em pessoas acima de 50 anos nos países desenvolvidos. Existem duas formas: a seca, que evolui lentamente com drusas e atrofia, e a úmida, na qual vasos anormais crescem sob a retina e podem destruir a mácula em meses. A boa notícia é que o tratamento da forma úmida mudou radicalmente com a chegada dos anti-VEGF intravítreos (ranibizumabe, aflibercepte, faricimabe, brolucizumabe): hoje é possível estabilizar e até melhorar a visão em muitos pacientes que antes ficavam legalmente cegos.

A prevenção envolve não fumar (tabagismo é o fator de risco modificável mais importante), alimentação rica em folhas verdes e peixes, proteção contra luz UV, controle de pressão arterial e, em casos selecionados, uso de suplementos com a formulação AREDS2, recomendada por oftalmologistas em estágios específicos da DMRI seca.

Retinopatia diabética

O diabetes mal controlado lesiona os pequenos vasos da retina, levando a sangramentos, edema macular e, em estágios avançados, neovascularização, descolamento tracional e glaucoma neovascular. A retinopatia diabética é a principal causa de cegueira em adultos em idade produtiva em muitos países e seu impacto tende a crescer com o aumento global do diabetes tipo 2.

A prevenção é direta e altamente eficaz: controle rigoroso da glicemia (hemoglobina glicada), pressão arterial e colesterol; não fumar; mapeamento de retina anual desde o diagnóstico do diabetes tipo 2 e a partir de cinco anos do diagnóstico no tipo 1. Quando há edema macular diabético, injeções intravítreas de anti-VEGF e laser focal são altamente eficazes. Em estágios avançados, vitrectomia pode recuperar visão em casos selecionados.

O que essas cinco causas têm em comum

Todas elas ou já têm tratamento consolidado (catarata, erros refrativos) ou dependem de diagnóstico precoce para evitar a cegueira (glaucoma, DMRI, retinopatia diabética). O exame oftalmológico periódico é a ferramenta mais simples e mais poderosa para preservar a visão ao longo da vida. Não esperar sintomas é a regra de ouro: boa parte das doenças mais graves avança silenciosamente por anos.

Se você ainda não fez sua consulta oftalmológica de rotina este ano, vale marcar. Trinta minutos no consultório podem fazer diferença por décadas.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre este tema

Quais dessas doenças são hereditárias?

Glaucoma e DMRI têm componente familiar importante — quem tem pai, mãe ou irmãos com essas doenças tem risco aumentado. Catarata, erros refrativos e retinopatia diabética também podem ter alguma predisposição familiar, mas são mais influenciadas por idade e controle de condições como diabetes.

A partir de que idade devo fazer exame oftalmológico de rotina?

Avaliação pediátrica no primeiro ano de vida, antes dos 3 anos e antes da alfabetização. Em adultos sem queixas, a cada 2 anos até os 40. A partir dos 40, ao menos anualmente. Quem tem diabetes, glaucoma na família, miopia alta ou outras doenças crônicas deve seguir o intervalo orientado pelo oftalmologista, que costuma ser anual ou mais frequente.

Alimentação realmente ajuda a prevenir doenças oculares?

Sim, em parte. Uma dieta rica em vegetais de folhas verdes, frutas coloridas, peixes e oleaginosas está associada a menor risco de DMRI avançada. O controle do peso e do açúcar no sangue previne complicações do diabetes nos olhos. Alimentação, porém, não substitui exames e tratamento quando a doença já está instalada.

Óculos podem 'viciar' a vista?

Não. Óculos apenas corrigem o foco da imagem na retina. Quem usa o grau correto consegue enxergar com conforto e não desenvolve mais miopia ou astigmatismo por causa deles. Não usar os óculos indicados, sim, pode causar fadiga visual, dor de cabeça e prejuízo escolar.

Se eu faço tratamento para catarata ou glaucoma, ainda preciso me preocupar com as outras doenças?

Sim. As cinco causas mais comuns de cegueira podem coexistir. Um paciente com catarata operada precisa seguir acompanhando pressão ocular, fundo de olho e a saúde da mácula. Por isso, as consultas de retorno continuam importantes mesmo depois do tratamento inicial.

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